25 de março de 2022

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por: mokayama

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O SOM DE UMA MÃO QUE APLAUDE…
05/ 07/ 2005 , Postado por M. Okayama

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Costumava um antigo imperador chinês , tomar como referência , para avaliar as crises em seu reino, a qualidade da música produzida; em que os sons soavam de maneira ruim , os espíritos da sociedade encontravam-se em estado de desarmonia. e as crises sociais eram assim antecipadas.

Se tomarmos como parâmetro nossa sociedade atual , qual seria o grau de importância que daríamos para a qualidade de nossa arte e como ela representa a nossa verdade interior?

Em sociedades milenares, dos gregos antigos, passando pelos chineses , japoneses e indianos, a música estava diretamente associada a princípios metafísicos e divinos, encarando a forma com que os sons eram combinados , pelo ser humano, como um espelho direto da verdade pessoal , refletindo as crenças metafísicas.

Pitágoras, um dos pais dos princípios filosóficos que regem o pensamento humano até os dias de hoje, fundava seus estudos de religião, filosofia e ciência com a música, sendo que o princípio dos tetracordes surgiu através de justificativas da criação divina.

Os chineses acreditavam no alinhamento e equilíbrio do som fudamental: _ “O Sino Amarelo” , conhecido por Kung.Era a missão do imperador encontrar esse equilíbrio; dizia-se em textos antigos: _Se o Kung está desequilibrado, então o imperador é ineficaz e arrogante.

A busca pela afinação dos instrumentos ocorria em função do equilíbrio do Kung, prática que gerou até o princípio dos círculos de quartas e quintas.

Para os indianos , o sopro da criação : “OM”, vindo do sopro do criador Brahman, manifesta-se em toda execução musical, num sistema de música improvisada a partir de estruturas fixas ,chamadas de Raga. Este sistema construído na improvisação sobre essas, associa a cada uma das Ragas um fato religiosos ou mundano, delegando ao músico , o caráter de criador.

A Arte tem muitas funções , ela serve como registro da experiência humana, sendo uma maneira de perpetuar-se perante a própria mortalidade, todavia este princípio parece estar se diluindo cada vez mais num mercado onde a criação e expressão tem: medida, peso e público alvo.

Olhar para o passado é fundamental e nesta nossa era,partindo dos fatos acima citados , temos justificativa para o momento de crise cultural que passamos.

Ao fechar, uma parábola zen-budista: “Todos conhecem o som de duas mãos que aplaudem, todavia qual será o som de uma só mão que aplaude?”

M.O.