
Aprendendo música….
Aprendendo a aprender música…. Márcio Okayama
O desejo de empunhar um instrumento musical significa muito mais do que um simples modismo, e sim , a realização de um sonho; sendo aqui habitantes de um mundo onde todas as nossas máscaras e camuflagens se dissolvem ,flui nossa verdade através da legítima expressão musical.
O iconoclasta e único John Frusciante ,dos Chili Peppers, afirmou que seu desejo de compor nasceu após um fracassado jogo de beisebol(uma cena meio Charlie Brown , não?) só conseguindo registrar seus sentimentos através de uma melodia que entoou em seu quarto depois daquela tarde.
Esta pequena passagem vem ilustrar o que muitas vezes a arte representa para nós, meros mortais, que passamos nossas existências impermanentes entre luas e sóis recheadas de vitórias, derrotas ,dores alegrias e tudo mais…..
O ato de aprender o domínio de um instrumento é algo que requer disciplina, palavra meio denegrida nesta época em que temos o mundo a nossas mãos ao simples piscar de olhos. Cada momento de estudo que empenhamos na prática musical é um pequeno /grande passo que damos em direção à tese que conversamos acima.
Nosso mestre Wander Taffo, costuma afirmar que meia hora de estudo bem focalizado , se preocupando com: timbre,rítmica,limpeza de som, entre ouros fatores ,vale muito mais do que horas jogadas fora, de maneira displicente.
Metas são importantíssimas em nossas vidas, (mesmo que adequemos os planos em função dos ventos que sopram pelas velas do barco)e a maneira como empregamos nosso tempo é que, no final das contas, definem o resultado do jogo.
Uma dica que usamos muito , aqui na escola , é dividir os assuntos a serem enfocados , como pequenas estruturas , sendo mudadas em função das necessidades básicas do aprendizado.
Seguindo esta linha de pensamento, temos a seguinte relação de estudo(levando em conta que você tenha uma média de 4 horas, podendo serem feitas num mesmo dia ou divididas, dependo de sua agenda pessoal):
30 min-Técnica , aquecimento.
30min-Escalas (maiores,pentas,menores harmônicas,melódicas,simétricas etc)
30min-Arpejos (tríades e tétrades)
30min-Frases e licks(vocabulário)
30min-Acordes(formação e digitação,itens importantíssimos!!!)
30 min-Leitura(partituras,tanto aperfeiçoamento como leitura de primeira vista)
30 min-Repertório(músicas que você quer manter debaixo dos dedos)
30min-Improvisação/composição.
A idéia é que estes módulos sejam adaptados às suas necessidades,mesmo que você se limite a aprender poucos itens ou resolva até dobrar o tempo sugerido .
Para encerrar, temos um exercício(para guitarristas ,mas que pode ser também usado por violonistas e baixistas)lembrando as insanidades simétricas e atonais do hermético Robert Fripp.
Como sempre, pratique-o devagar, com cuidado e se preocupando com a sonoridade antes da velocidade.
Na próxima coluna seguiremos com estas dicas de estudo.
Até lá, bom divertimento e valeu pela atenção!!!.
P.S> O título desta, é uma homenagem ao mestre e criador dos pilares da didática guitarrística contemporânea, Howard Roberts; um jazzman fora de série ao qual, direta ou indiretamente, devemos muito.