
Efeitos e pedais…
Efeitos- Parte I -Márcio Okayama
Bem, como tínhamos combinado , nesta coluna vamos dar uma dissecada na função de alguns dos principais efeitos para guitarra .
Apesar deste texto estar direcionado para tal instrumento , a pequena lista acaba por orientar também outros músicos, pois a alteração nas ondas sonoras e suas conseqüências na arte que realizamos, é drástica.
Costumo brincar com alguns alunos que seu som de guitarra deve depender, antes de mais nada, de seu toque e “pegada” que se desenvolvem tanto com estudo como com garra e paixão ao executar Música. De certa forma, tirando o mito de que um bom som de guitarra depende de paredes de amplis, racks enormes e instrumentos caríssimos .Mesmo assim, os efeitos da guitarra criaram história e fizeram com que grandes músicos iluminassem a alma de milhões de pessoas no planeta , desde o “fuzz” em “Satisfation”,passando pelos gritos e bombas com “wha” de Hendrix, na sua versão para o hino norte americano, chegando aos “chorus” futuristas dos “riffs” de Andy Summers e até ao “delay” mágico empregado pelo não menos mágico, The Edge, do U2.
Nesta primeira parte, vamos falar um pouco sobre a nossa tão amada distorção e suas variações que aterrorizam pais e vizinhos.
O princípio parte de que um sinal de guitarra tem uma saída constante de 50 milivolts e quando acontece a sobrecarga deste sinal, surge a distorção do mesmo .O conceito genérico de distorção reside na tese de que esta é a variável, onde a curva de onda de um sinal aparece diferente de sua entrada ao sair. Este efeito nasceu da saturação natural das válvulas que, quando super aquecidas, acabam por gerar harmônicos “ghost tones”,os quais possuem vibração simpática à série harmônica das notas .
Muitas vezes, a utilização de um pré-amplificador tem esta função para saturar ou timbrar melhor o “power-ampli”.Tal princípio, que é usado pela grande maioria dos guitarristas de rock contemporâneos, teve sua raiz em Pete Towshend, Hendrix e Brian May, que ligavam vários aparelhos em série para saturar o sinal.
As variações de distorção são classificadas em :
Over-drive: onde a quantidade de drive não é exagerada , próxima ao som dos bluesmens, quando abriam amplis pequenos em altos volumes.
Fuzz: um dos primeiros aparelhos que funcionavam como um “booster”do sinal original criando uma sujeira peculiar ao som dos anos sessenta, utilizado, também, recentemente por alguns ícones do grunge como Nirvana e Mudhoney.
Distortion- é o som mais contemporâneo utilizado por ser mais “cremoso” foi popularizado pelos grandes “metaleiros”e virtuoses(o famoso “brown sound” de Eddie Van Halen).
Na próxima coluna continuaremos com esta “exploração sônica”.
Obs. :referências e “dicas” bibliográficas: Guitar Hand Book- Ralph Denyer
Sound Check- Tony Moscal
Manual do Estúdio de Garagem -Lu Gomes e Roberto Navarro