10 de fevereiro de 2022

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por: mokayama

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Categorias: matérias

O paradoxo pandêmico nas artes….

O Paradoxo pandêminco nas artes…

Virou clichê da internet a declaração de que mais do que nunca a Arte é um dos portos seguros que vem ajudando as pessoas a suportarem o período de isolamento social, seja música , games, livros, filmes…ou mesmo o trabalho de toda uma cadeia agregada de produtores de conteúdo, está sendo vital para a saúde mental da raça humana nestes tempos…
Todavia, a declaração acima, exige uma profunda reflexão em relação à nossa postura, tanto como atores da indústria cultural, como consumidores da mesma.
A revista Esquire ( edição de maio de 2020) publicou um artigo excelente, um sinalizador destes tempos, expondo de maneira lúcida os pormenores desta crise:
“ Coronavirus migth kill the music industry, maybe it nedeed to die…”
https://www.esquire.com/uk/culture/a32360709/coronavirus-music-industry/
De uma maneira clara aponta os pormenores da vida de músicos durante a pandemia e a cadeia de profissionais afetados na mesma.
Um dos pontos incisivos neste artigo é como a relação do ambiente digital se tornou leonino para artistas de um modo geral, em que a produção de conteúdo virou uma commodity, sendo a remuneração deste trabalho estar extremamente diluída em seu destino final: o criador, compositor, executante…
A famosa celeuma do Lars Ulrich contra o Napster nos anos noventa já apontava a direção deste cenário, que por mais que fosse abraçado pelo público, fragilizou a relação do músico com a indústria . O Lars, além de um artista extraordinário, é um dos grandes visionários da história da música,com certeza, ele já enxergava esta situação.(mesmo o Metallica abraçando a indústria digital com toda força nos anos seguintes).
Gerar conteúdo de graça virou moeda de barganha para alavancar a carreira e outros jobs para artistas em geral…Tornou-se a regra do jogo, lidar com ferramentaria de internet , mídias sociais, conteúdo digital, para escalar outros estágiosTodavia agora, os outros estágios, em sua maioria se diluíram…
Posicionar-se na rede , abrir mão de honorários de músicas, disponibilizando-as de graça na internet no intuito de lotar agenda de show, não existe mais, pois pelo que temos de cenário, a experiência de interação ao vivo está em modo de suspensão.
Segue outro clichê muito atribuído a um dos ideogramas do I Ching: “ Crise significa oportunidade.”
A pandemia, na realidade,antecipou um processo disruptivo que vinha se acelerando desde a revolução digital e a quebra de paradigmas sócio- econômicos que já datam da queda da Cortina de Ferro.
Nesta nossa era Pós- Capitalista, a quebra de modelos seguros é uma de nossas únicas constantes.
Em tempos pandêmicos, esta quebra é diária… sobrevive aquele que tem uma maior capacidade em se adaptar…
Desgarrar-se de maneiras de enxergar o mundo e a si mesmo são ferramentarias vitais para sobreviver, superar a crise e inclusive crescer com esta mesma.

Márcio Okayama